Antes mesmo de iniciarmos nossa viagem pelo mundo do Alzheimer, é importante pontuar que existem registros de casos referentes a alterações cognitivas e de comportamento datados de 3.000 anos no antigo Egito. Em Roma a 300 anos A.C também foram encontrados casos isolados.
A Doença de Alzheimer foi descoberta em 1906 pelo médico alemão Alois Alzheimer, este médico atendeu uma paciente de 51 anos que apresentava sintomas delirantes com relação ao seu marido. Posteriormente, sintomas como alterações de memória e linguagem, dificuldades de orientação espacial e com atividades de vida diária também foram aparecendo, e piorando progressivamente ao longo do tempo.
Essa paciente veio a falecer quatro anos depois dos primeiros sintomas e essa doença ainda não era especificada, logo foi submetida a um exame anatomopatológico.
O médico durante o exame percebeu que existia um acúmulo de placas extracelulares e um excesso de neurofibras no interior dos neurônios, como se formassem uma teia de aranha em volta dos neurônios, impedindo sua comunicação e por isso, acabam atrofiando por falta de oxigenação e outros fatores que ainda não podemos explicar e, que promovem a diminuição de determinadas substâncias químicas no
cérebro, especialmente o neurotransmissor acetilcolina,
responsável pelo controle da memória (Canineu, 2013).
A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa e progressiva que acomete todos os tipos de pessoas de ambos os sexos, e é a demência que mais afeta idosos no mundo todo.
Calcula-se que no mundo atualmente exista mais de 30 milhões de pessoas com essa doença (Canineu, 2013).
A DA, compromete as funções cognitivas. De início memória e atenção, posteriormente orientação espacial, linguagem, capacidade de raciocínio lógico, auto-cuidado e atividades diárias, mas caracteriza-se principalmente por afetar a memória.
A DA, compromete as funções cognitivas. De início memória e atenção, posteriormente orientação espacial, linguagem, capacidade de raciocínio lógico, auto-cuidado e atividades diárias, mas caracteriza-se principalmente por afetar a memória.
O Alzheimer está classificado em dois parâmetros: esporádico ou senil que acomete 95% da população no geral, onde tem seu curso mais lento, e o familial ou pré-senil que acomete cerca de 5% da população, e ocorre em pessoas com menos de 60 anos, tendo sua evolução mais agressiva e rápida, e o comprometimento é mais intenso e devastador, por ter uma genética mais determinada, costuma haver manifestações da doença na quinta década de vida (Canineu, 2013).
Várias teorias tentam explicar a doença mas nenhuma é comprovada mesmo que haja indícios que possam ser reais.
Várias teorias tentam explicar a doença mas nenhuma é comprovada mesmo que haja indícios que possam ser reais.
O que podemos considerar sobre a DA são os fatores de risco que são:
-Idade: Quanto mais se avança maior a probabilidade do idoso ter uma demência.
-Herança genética: Pesquisas apontam que a doença tem fatores genéticos indicando os 4 principais genes envolvidos, onde se destaca o cromossomo 21.
-Escolaridade: O nível de escolaridade pode influenciar na doença;
-Teoria tóxica: As pesquisas apontam que o uso de alumínio advindo de panelas e etc, pode ser uma dos fatores de risco.
-Traumas encéfalo-cranianos repetidos também constitui fatores de risco para a doença.
A doença se apresenta em três estágios diferentes e os sintomas depende de cada sujeito.
-A fase inicial é caracterizada por confusão e perda de memória, dificuldade com atividades de rotina diária, em alguns casos sintomas de depressão, mudanças de personalidade e comportamento, bem como capacidade de julgamento.
-Na fase intermediária a perda da memória e da atividade cognitiva já é mais marcante e há uma deterioração maior das habilidades verbais, podendo apresentar afasias de compreensão e expressão, alterações de comportamento como impaciência, inquietação, em alguns casos alucinações visuais e delírios e incapacidade de ficar só (Canineu, 2013).
-Já na fase avançada da doença, pode-se perceber a existência de uma fala monossilábica, em boa parte dos casos é impossível o controle urinário, e a pessoa tende a ficar mais deitada no leito, apresenta enrijecimento das articulações, dificuldade para engolir alimentos o que pode levar a morte (Canineu, 2013).
O diagnóstico de uma demência é baseado fundamentalmente em história clínica, exclusão de doenças orgânicas que apresentam a mesma etiologia dos sintomas da demência, bem como avaliação neuropsicológica para analisar quais as funções cerebrais comprometidas no momento, já que não existem exames específicos para detectar demência (Netto, 2007).
Para realizar um diagnóstico da DA, desde 1984 foram criados critérios internacionais, usados no DSM-IV e CID-10, revistos pela OMS (2005) (Netto, 2007; Canineu, 2013)
Esse diagnóstico baseia-se em parâmetros de possível ou provável Doença de Alzheimer, e a probabilidade de acerto é de 95% (Canineu, 2013).
O Diagnóstico de possível Alzheimer é baseado na observação de sintomas clínicos e alteração em duas ou mais funções cognitivas como, por exemplo, memória, linguagem ou pensamento, o qual faz com que o diagnóstico seja menos preciso, sendo necessária a consideração de uma segunda doença.
Já o diagnóstico de provável Alzheimer leva em consideração todos os critérios do possível Alzheimer, porém considera-se a ausência de uma outra doença.
É importante salientar que o diagnóstico de DA definitiva ocorre somente com exame de necropsia, onde podem ser identificadas as placas e emaranhados de neurofibras, sendo esta a única forma de confirmar a doença.
A Doença não tem cura e o que podemos utilizar para tentar amenizar a progressão são tratamentos medicamentosos e não medicamentosos. Os medicamentosos se referem ao uso de drogas que vão inibir a destruição do neurotransmissor acetilcolina dentro do neurônio, e outras drogas psiquiátricas para controlar comportamentos. Esse tratamento atinge os sintomas e não sua causa, eles ajudam a controlar o comportamento, amenizar os sintomas por determinado tempo, logo estes, não mudam o curso natural da doença.
Estudos apontam que esses medicamentos são mais eficazes se usados no início da doença.
Os não medicamentosos devem ser conciliados com o medicamentoso e, estão relacionados à terapias específicas, treinamento de atividades de vida diária e prática, estimulação cognitiva, que podem ajudar a retardar ou amenizar a evolução da doença por determinado período.
Não tratamos a Doença de Alzheimer e sim a pessoa humana que tem a Doença de Alzheimer, bem como seus cuidadores e familiares!
Indicação de Leitura: ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer
Alguns Conselhos sobre a Doença de Alzheimer


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